SIMONE
JORGE(SOCIÓLOGA) - email: simonejorge2005@hotmail.com
TEL P/ CONTATO: 73244103
RELACIONAMENTO PAIS E
FILHOS; INSEGURANÇA EM SER MÃE OU PAI; CONSUMISMO E MATERIALISMO EXAGERADO NA
INFÂNCIA(TEMAS ATUAIS DE REFLEXÃO SOBRE A FAMÍLIA- PRIMEIRA PARTE)
Embora as pessoas tenham personalidades, formações
e criações diferentes, todas as mães passam por momentos de incertezas e
dificuldades que são comuns no decorrer de suas funções. Este estudo não têm
o objetivo de propor receitas e muito menos julgar alguém. Acredito que
contando e trocando experiências, podemos refletir e reconhecer que não existe
solidão quando estamos dispostos a compartilhar. Algumas mulheres enfrentam
muitas inseguranças antes mesmo da gravidez. Muitas não têm impossibilidade
física para à concepção, porém, enfrentam anos de espera e frustração até
conseguirem efetivar seu desejo. A comparação com pessoas que já tiveram
filhos é inevitável, trazendo como conseqüência mais frustração e inveja,
dilacerando a auto-estima da pessoa. Obviamente o apoio pleno do marido e a
psicoterapia são fundamentais nos casos de infertilidade psicológica. O
processo é doloroso, pois muitas vezes tem de se ir ao “inferno” para
romper com os bloqueios emocionais que impedem a gravidez. Os inimigos são
sempre invisíveis e estão a espreita para irromper no inconsciente da pessoa.
O dilema psicológico máximo que alguém
enfrenta seja na infertilidade psicológica citada, ou mesmo quando consegue
filhos, é elaborar o espólio ou inventário de sua primeira família. Romper
com o papel de “filha”, e atingir a meta de uma mulher madura e apta a
enfrentar os desafios do casamento é prioritário na saúde emocional de ambos.
Parece que necessitamos de uma autorização para sermos mães e temos que
provar a todo o momento que somos competentes para tal função. Isto advém do
profundo complexo de inferioridade desenvolvido no histórico do indivíduo. Se
a segurança interior ou amor próprio estão capengas, obviamente a insegurança
perante a criação dos filhos aumentará na mesma proporção das carências
pessoais não resolvidas. Para provarmos que podemos ser boas mães, a
impressão que temos diante das várias dificuldades encontradas no dia-a-dia é
que não teremos trégua, enfrentamos uma guerra interminável perante nossos
fantasmas e opiniões alheias, nos trazendo stress e exaustão.
O fato é que em algum momento a gravidez
acontece e sua barriga cresce, o corpo e a alma mudam e, várias dúvidas
surgem. Quantos mitos, palpites e superstições precisam ser superados. Mas
tudo isso é normal, pois você se transforma numa pessoa inteiramente responsável
pelo crescimento e desenvolvimento da criança que está em seu ventre. E mais dúvidas
surgem até o momento do nascimento, principalmente quando se aproxima a data
prevista para o parto. Será que o bebê vai nascer bem? Será que saberei
cuidar bem dele? Como pegar, dar banho, perceber se está com alguma dor, trocar
a fralda? Enfim, como mudar totalmente a vida e preparar-se para isso? Para tudo
encontramos uma solução: perguntamos ao nosso médico, lemos livros e revistas
que falam sobre o assunto, conversamos com outras mães que, do nosso ponto de
vista, têm bom senso e parecem ser boas mães, porém, a ansiedade aumenta a
cada dia. Finalmente chega o tão esperado momento do nascimento, de olhar,
cheirar, afagar e curtir o filhinho; Lindo! Mas, e agora? Agora, cuide que o
filho é seu.
A questão da adoção é ainda mais complicada, pois
as mães esperam em várias situações muito mais do que nove meses para ter
seu filho, e iniciar como todas as mães a próxima etapa, que é de fato cuidar
do bebê no dia-a-dia. Acredito que a mãe adotiva enfrenta ainda maior
insegurança diante dos desafios que aparecem no processo de adoção,
acrescentando a tudo isso aquelas opiniões de que, como o bebê não é seu
filho natural, a revolta que futuramente ele enfrentará poderá ser
incontrolável, enfim, escutar aquela velha frase: “você poderá ter sérios
problemas com essa criança quando ela crescer”. Como se os cuidados que
precisamos ter com nossos filhos em relação à formação e educação se
diferenciassem para os adotados e os não adotados.
A maneira como demonstramos nosso amor e a importância que damos aos nossos
filhos são as questões decisivas para a formação das crianças,
independentemente se são adotadas ou não.
Retomando
ao momento da chegada de nossa criança, na minha opinião essa é a etapa mais
desafiadora, pois socialmente chegou o momento de provar para todos que você é
realmente capaz de cuidar bem dela. Um dos primeiros desafios relaciona-se à
amamentação, pois diversos mitos e superstições surgem sobre o assunto.
Muitas mães, sogras, vizinhas, tias e similares contam suas experiências de não
terem leite, ou do leite ser fraco e, assim, muitas de nós ficamos
completamente inseguras quanto à nossa capacidade de oferecer nosso leite ao
filho. Percentualmente não posso afirmar, até porque não sou da área da saúde,
mas sei que a maioria das mulheres pode amamentar, salvo exceções (com
problemas de saúde que impossibilitam a amamentação);inclusive algumas mães
que adotam seus filhos podem amamentá-los. Isto é fundamental ressaltar, e
estudos provam que mães que amamentaram seus filhos adotivos têm muito menos
problemas comportamentais com os mesmos no transcorrer de seu desenvolvimento.
Dessa forma, podemos considerar que os aspectos emocionais interferem
diretamente nesse grande momento da vida de uma mãe. Ter condições de
alimentar o bebê, com o nosso próprio leite é uma das maiores provas de doação
que podemos demonstrar como mãe, com todo respeito àquelas que, por algum
motivo, não puderam realizar essa tarefa gratificante. Fiz esse comentário
apenas, para demonstrar que algo que pode ser fácil e tranqüilo, para muitas mães
não é, porque precisamos nos sentir capazes para isso.
Independentemente se a amamentação vem do seio ou
da mamadeira, sempre tem alguma outra criança da família, ou muito próxima da
família, que possui idade semelhante à do nosso filho, não é mesmo? Isso
normalmente acontece e, então, começa uma das piores fases para as mães e,
principalmente, para as crianças, que é a comparação com o outro bebê: se o
seu filho é mais magro é porque seu leite não é bom; se a amamentação é
feita pela mamadeira, o motivo então é por não dar a alimentação na hora
certa, ou coisa similar, caso o seu filho seja o mais gordinho, logo aparecem os
comentários para tomar cuidado para que não fique obeso. Enfim, os elogios,
quando aparecem, vêm bem depois das críticas. As críticas são uma das
mais perigosas armadilhas do dia-a-dia, pois nos deixam inseguras sobre nossas
atitudes, se estamos fazendo o que é certo. Por mais intenso e completo que
seja o atendimento médico recebido por nossas crianças, por mais confiança
que temos no profissional que cuida delas e mesmo utilizando nosso bom senso e
inteligência para percebermos que o desenvolvimento de nossa criança é
normal, a crítica acaba com nossa confiança. Uma possibilidade
para vencermos isso é novamente rompermos com o papel de filha, assumindo
definitivamente o papel de mãe. Vocês, mães e pais são as pessoas
inteiramente responsáveis em manter seu filho vivo, saudável e,
principalmente, transformá-lo num ser humano digno, independente e capaz de
encontrar o caminho de sua própria felicidade. Não atribua esse papel a mais
ninguém, nem às vovós, nem às babás e nem às tias da escolinha.
Assumir totalmente a responsabilidade sobre seu
filho, ser a referência de autoridade para ele é demonstração de amor. Ele
precisa e solicita isso a todo o momento, pois ele necessita disso para se
sentir seguro também. Precisa de pais, principalmente de uma mãe (pois a
cobrança maior é sobre a mesma), que saibam o que ele pode ou não fazer,
saibam motivá-lo diante de seu desenvolvimento físico e intelectual, que o
percebam e o entendam, respeitando suas diferenças em relação a outras crianças,
especialmente quando essas são os irmãos ou outras muito próximas. Tudo isso
é importante para que ele tenha segurança afetiva e adquira a plena certeza de
que é amado, respeitado, inteligente e especial. Na minha opinião não se
discutem limites daqui a alguns anos, mas sim em todos os momentos, inclusive
antes mesmo de engravidar, transformando-se na pessoa que tem total conhecimento
de seu filho, na autoridade legítima. O fato de a mãe trabalhar fora, e digo
isso me referindo à minha experiência, não significa que precise transferir
esse papel à outra pessoa. Ao contrário, a pessoa responsável pelos cuidados
da criança durante a ausência da mãe precisa perceber que a autoridade é dos
pais e, em hipótese alguma, ela poderá desautorizá-los. Inclusive, essa
pessoa precisa ajudar a fazer com que o filho respeite a autoridade dos pais, e
confiem que seus filhos vão amá-los e respeitá-los cada vez mais se forem
firmes no propósito de se transformarem na principal referência para eles.
Educar e formar um ser humano são tarefas difíceis,
que exigem disposição em aprender e demandam tempo e principalmente amor.
Quando me refiro ao tempo, não estou querendo dizer que a mãe não possa ter
outras atividades, que tenha que se dedicar exclusivamente ao filho, ao contrário,
a criança precisa de qualidade e não de quantidade. Reflitam sobre quantas
horas ou minutos disponibilizam diariamente a seus filhos com satisfação,
momentos de prazer e não mera obrigação. Não adianta ficar 24 horas
fisicamente com a sua criança se o coração e a mente não estiverem em
sintonia com ela. Para as mães que trabalham fora, dispensem o consumismo para
compensarem as horas que não estão com os filhos, pois ninguém compra afeto.
E afeto é o que vem de dentro de cada um, é sentimento. Não atribua um valor
comercial aos sentimentos. *Como seria produtivo e importante se os pais
negassem determinados presentes materiais supérfluos e os trocassem por um
elogio ou reconhecimento da inteligência ou capacidade da criança, quando esta
os demonstra pessoal e socialmente. Tanto a hipocrisia ou necessidade de bajulação
no adulto teve sua origem nesta carência de pontuar no período da infância
sua importância na família sob todos os aspectos; afetivo, companheirismo e
potência intelectual.
O consumismo na infância reforça a mensagem
de que a criança é subornada para não expor seus sentimentos ou opiniões, não
dando mais trabalho para pais que já se encontram num stress pela sobrevivência
ou dificuldade do dia a dia.* Determinada afirmação é insofismável nos dias
atuais, mas, mesmo assim, quase todos reproduzem dito comportamento sem nenhum
raciocínio crítico. A preocupação é apenas com a herança material, mas
mesmo que estas palavras sejam ignoradas, tenho o dever de lembrar a todos de
que existe também uma herança afetiva e emocional, que muitos desconsideram
pela vida toda. Até mesmo os bebês percebem as pessoas que sinceramente são
afetuosas com eles. Não se anule perante seu filho, não deixe de realizar
outras atividades que lhe dão satisfação para dedicarem-se exclusivamente à
maternidade, pois eles não querem e não precisam disso. Eles necessitam de uma
mãe realizada, confiante e que mais tarde não jogue palavras como essas em
seus ouvidos e em suas almas: “eu fiz tudo por você, deixei de viver por você”.
Se deixar de fazer algo, não foi pelo seu filho, que não lhe pediu isso,
mas sim porque você não quis fazer. Pode acreditar que ele vai te respeitar
muito mais se você se transformar num ser humano feliz e capaz de não cobrar
nada dele no futuro, pois amor e cuidados básicos você tem obrigação de dar
ao seu filho, independentemente da dedicação exclusiva. No futuro, ele
precisará cuidar de sua própria vida e de seu futuro profissional, constituir
família, se assim quiser, enfim, caminhar com seus próprios pés, mas com os
referenciais que você e o pai dele lhe transmitiram desde o início de sua
vida.
Para finalizar, parece que, falando dessa forma, resolver nossas inseguranças e dificuldades na criação de nossas crianças trata-se de uma questão simples. Precisamos reconhecer que não é fácil encontrar o caminho, porém a mensagem que eu gostaria de deixar é que pode ser uma tarefa simples, honesta, que encontramos dentro de nosso coração e de nossa alma. Caros pais, despertem em seus corações o verdadeiro sentido de ajudar seus filhos e considerem que eles não precisam de brinquedos caros, roupas da moda e de demais sofisticações. Eles realmente necessitam de seus sentimentos mais nobres, ou seja, amor, respeito, humildade, honestidade, confraternização e de sua presença. Para iniciarmos a demonstração disso aos nossos filhos, não podemos deixar de compartilhar nossas experiências. Não posso deixar de mencionar mais uma questão; na véspera do Dia Internacional da Mulher, assisti num programa de televisão a realização de uma enquête sobre “quem seria a mulher mais importante de sua vida”. Refleti sobre o assunto e descobri que a mulher mais importante de minha vida é a minha filha, pois ela me propiciou a realização de meu grande sonho de ser mãe, de vivenciar no dia-a-dia todas as dificuldades e inseguranças e me cobra a todo o momento que eu me torne mais segura em minhas atitudes para criá-la e criar seu irmão. É ela que, a cada momento, me faz provar que sou competente para ser mãe. O meu outro filho confirma tudo isso, pois através dele eu posso a cada dia demonstrar essa condição para ambos.
DEDICO ESTE PRIMEIRO TRABALHO AO MEU ESPOSO: DOUTOR IRINEU FRANCISCO BARRETO JÚNIOR, SOCIÓLOGO, E AOS MEUS FILHOS: BEATRIZ E VINÍCIUS.
* Trecho de um site do PSICÓLOGO ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO
http:/antonioaraujo_1.tripod.com/ Visite a página do referido psicólogo no endereço ao lado
SIMONE JORGE, 37ANOS, SOCIÓLOGA E PESQUISADORA DE RELACIONAMENTOS FAMILIARES.
PALESTRAS EM ESCOLAS, OU GRUPOS DE ORIENTAÇÃO DE PAIS: 73244103
SÃO PAULO, 16 DE MAIO DE 2005(QUALQUER REPRODUÇÃO SOMENTE MEDIANTE AUTORIZAÇÃO)